segunda-feira, 24 de outubro de 2011

LENILDE FREITAS EM CAMPINA GRANDE


 
CONVITE

No próximo dia 31 de outubro de 2011, ás 17 horas, em Campina Grande, no Teatro  Paulo Pontes haverá um bate-papo com a poetisa Lenilde Freitas. Na mesma ocasião, o Professor e Crítico Literário José Mário da Silva estará proferindo uma palestra sobre a poesia da autora. O evento é  organizado pelo Pen Clube do Brasil Seccional da Paraíba. 

QUEM É LENILDE FREITAS?
De pais pernambucanos, a autora nasceu em Campina Grande, Paraíba. Possui Mestrado em Teoria da Literatura pela ÜFPE e Pós-graduação  em Literatura Brasileira pela Faflrc. É poeta e tradutora. Fez traduções para o jornal Folha de S.Paulo, revista Escrita, Calibán e outras. Estreou na literatura, em livro, no ano de 1987. tendo publicado: Desvios (1987); Esboço de Eva (1987); Cercanias (1989); Espaço neutro (1991); Tributos (1994); Grãos na eira (2001): A casa encantada (Infantil -2009).

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

REVISTA BLECAUTE: UM NOVO MARCO CULTURAL

     


Por Weslley Barbosa

        A primeira vez que ouvi falar da revista foi através de uma rápida conversa com João Matias Oliveira, contista e editor da Blecaute. Ao encontrá-la na internet e iniciar a leitura, já percebi que se tratava de um novo marco para as letras de nosso estado. Se a geração Garatuja, na década de 1970, ficou marcada como uma ousada e brilhante iniciativa, dando voz aos então jovens escritores de seu tempo (e que hoje fazem parte do cânone literário de nosso estado, tendo se tornado leitura obrigatória para quem deseje auscultar os mais variados liames de nossa identidade cultural - José Antônio Assunção, Antônio Morais de Carvalho, Bráulio Tavares, Jackson Agra, entre outros), me parece que a Blecaute vai no mesmo caminho.
      Ou talvez vá até mais além. Não apenas por circular no âmbito da internet e de forma gratuita. Não apenas por já contar com um número extremamente representativo de edições. Diria que, principalmente, seu sucesso se deve ao fato de ter extrapolado as rígidas fronteiras provincianas que muitas vezes condenam a cultura de nosso país a semelhar muito mais um conjunto de células independentes e mesmo concorrentes, que propriamente um sistema integrado e dialogal. Se muitos dos nossos grandes escritores estão "condenados" a contar seus leitores em pouco mais que algumas dezenas, se muitos dos suplementos já lançados ao público se configuram hoje como verdadeiras relíquias perdidas no tempo e no espaço, se, num momento de pura lucidez e correta percepção o professor e poeta Antônio Morais de Carvalho me falava (numa frase que não canso de repetir) que "a melhor forma de manter-se inédito é publicar na Paraíba", acredito que a revista de que hora falo dá um importante passo de reação contra essa realidade.
      Blecaute, cada vez mais tem se firmado como um pululante bioma cultural, não encontrando fronteiras geográficas, sociais ou culturais. Lida e comentada tanto pelos leitores comuns como por nomes já conhecidos dos meios culturais, a revista se configura por um lado como uma vitrine onde novos talentos são expostos à contemplação e análise e por outro como ponto de encontro e debate entre pensadores.
      Longe de limitar-se aos escritores locais, a publicação parece entender que a cultura nasce do contato, não do isolamento. Não há cultura de um só nem de uns poucos. Cultura é e sempre será recriação, fusão e mesmo, porque não, choque, mas sempre sob o imperativo do contato e do diálogo. Assim, conseguindo ser regional ao passo que abraça o universal, tem sido coerente com o próprio veículo no qual circula.
      Para mim, que tenho dedicado os últimos quatro anos ao estudo da literatura paraibana, a Blecaute serve ao mesmo tempo de fruição e objeto de estudo, meio de contato com a arte e alento, fonte de esperança renovada a cada nova edição, de encontrar novas pérolas com as quais adensarei minha coleção de jóias culturais do nosso estado (novos nomes que, no futuro, poderão integrar o cânone, assim como aconteceu a muitos da já referida Garatuja). Abraço a nona edição e congratulo os editores que, paradoxalmente ao título da revista, têm difundido luz, num contexto onde cada vez mais tentam imperar as sombras.


Download:


terça-feira, 4 de outubro de 2011

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO EM CATOLÉ DO ROCHA

Entre os dias 25 e 27 de Outubro na cidade de Catolé do Rocha, sertão do estado da Paraíba, ocorrerá o VI Semana de Letras, no campus da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). No dia 26, quarta-feira, lançarei meu livro Cântico Voraz do Precipício e participarei da mesa A Crítica Frente à Produção Literária Contemporânea, discutindo o tema: “A Internet e o Campo Literário Brasileiro: Questões para a Literatura Contemporânea”.

Vejam a programação completa:


CAMINHOS DA LEITURA E DA ESCRITA: UM OLHAR PLURAL
25 A 27 DE OUTUBRO DE 2011

PROGRAMAÇÃO

25.10.2011
TERÇA-FEIRA
Manhã
08:00 – Solenidade de abertura
09:00 – Palestra de abertura:  “A Relação Autor, Leitor e Leitura Frente à Problemática da Diversidade Cultural” (Proferida por: Linduarte Pereira Rodrigues - Doutor em Lingüística pela Universidade Federal da Paraíba)
10:00 – Debate
11:00 – Intervalo para almoço
Tarde
13:30 – GRUPOS DE TRABALHO – GTs
GT 01 – O cânone e a literatura marginal ou de exclusão: rupturas e interfaces
              Coord.: Profa. M.Sc. Andréa Morais Costa Bühler (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
GT 02 – Os gêneros textuais nos livros didáticos de Língua Portuguesa
              Coord.: Profa. M.Sc. Marta Lúcia Nunes (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
GT 03 - SOCIOLOGIA E EDUCAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES PARA A PRÁTICA DA LEITURA E DA ESCRITA NA ESCOLA
             Coord.: Profa. M.Sc. Melânia Nóbrega Pereira de Farias (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
GT 04 - LEITURA: PRESSUPOSTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS
             Coord.: Profa. Esp. Maria Aparecida Calado de Oliveira Dantas (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
GT 05 - Literatura, leitura e ensino
            Coords: Profa. M.Sc. Maria Fernandes de Andrade Praxedes (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
                           Profa. Esp. Noara Queiroz de Medeiros
GT 06 - LEITURAS E LEITURAS PEDAGÓGICAS: ANÁLISES QUE SE CRUZAM, RELAÇÕES QUE SE ESTABELECEM
            Coord.: Profª. M.Sc. Benedita Ferreira Arnaud (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
Noite
19:00Sarau Poético

 
CAMINHOS DA LEITURA E DA ESCRITA: UM OLHAR PLURAL
25 A 27 DE OUTUBRO DE 2011

PROGRAMAÇÃO

26.10.2011
QUARTA-FEIRA
Manhã

08:00 – Mesa-redonda: A Crítica Frente à Produção Literária Contemporânea

Participantes:
  • Efigênio Moura (UEPB/ Campus VI) – “A Revitalização das Práticas de Leitura e Escrita dos Textos Regionalistas”;
  • Luciano Barbosa Justino (UEPB/Campus I) – “A Crítica Literária e a Literatura de Multidão”
  • Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio (Co-Editor da Revista Blecaute) – “A Internet e o Campo Literário Brasileiro: Questões para a Literatura Contemporânea”.
                      
09:30 – Debate
                 
11:00 – Intervalo para almoço

Tarde
13:30Minicursos
01 – Adaptação de obras literárias para a linguagem cinematográfica
         Prof. M.Sc. Rômulo César Araújo Lima (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
02 – Textos científicos: produção e normalização
        Bibliotecário Tiago José da Silva Pereira (UEPB/CAMPUS IV)
03 – A narrativa na sala de aula: processos e estratégias na formação do leitor
        Profa. M.Sc. Maria Fernandes de Andrade Praxedes (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
04 – ABORDAGEM DO ROMANCE CONTEMPORÂNEO NO ENSINO MÉDIO
         Profa. Esp. Noara Queiroz de Medeiros
05 – AS RELAÇÕES EDÍPICAS EM HAMLET SEGUNDO SIGMUND FREUD
         Prof. M.Sc. Fábio Pereira Figueiredo (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
06 – A LEITURA NA PERSPECTIVA DISCURSIVA
         Profa. M.Sc. Carolina Coeli Rodrigues Batista (DLH/UEPB/CAMPUS IV)

13:30 – OFICINAS

01 – ATUALIZAÇÃO ORTOGRÁFICA PARA OS PARÂMETROS DA ESCRITA
        Profa. M.Sc. Eliene Alves Fernandes (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
02 – A PALAVRA POÉTICA EM MOVIMENTO
        Profa. Lúcia Helena Ramos da Silva (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
        Profa. Andrea Morais Costa Bühler (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
03 – ARTES PLÁSTICAS
        Profa. Lili Brasileiro (Coordenação de Arte e Cultura da UEPB)
04 – DANÇA E EXPRESSÃO CORPORAL
        Prof. Roberto Gomes (Coordenação de Arte e Cultura da UEPB)
05 – INICIAÇÃO AO TEATRO
        Profa. Terezinha Marçal (Coordenação de Arte e Cultura da UEPB)
Noite
19:00Lançamento de livros: Fidélia Cassandra (Amora), Efigênio Moura (Ciço de Luzia) e Bruno Gaudêncio (Cântico Voraz do Precipício)


  
CAMINHOS DA LEITURA E DA ESCRITA: UM OLHAR PLURAL
25 A 27 DE OUTUBRO DE 2011
PROGRAMAÇÃO
27.10.2011
QUINTA-FEIRA
Manhã
08:00 – Mesa-Redonda: Literatura e Outros Saberes

Participantes:
  • Fábio Pereira Figueiredo (DLH/UEPB/Campus IV) – “Freud Leitor de Shakespeare ou de como a Literatura Inventou a Psicanálise”;
  • Auríbio Farias Conceição (DLH/UEPB/Campus IV) – “Uma Leitura da Cidade Contemporânea a partir de Marcelino Freire”.

09:30 – Debate

11:00 – Intervalo para almoço
Tarde
13:30 – MINICURSOS
01 – Adaptação de obras literárias para a linguagem cinematográfica
         Prof. M.Sc. Rômulo César Araújo Lima (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
02 – Textos científicos: produção e normalização
        Bibliotecário Tiago José da Silva Pereira (UEPB/CAMPUS IV)

03 – A narrativa na sala de aula: processos e estratégias na formação do leitor
        Profa. M.Sc. Maria Fernandes de Andrade Praxedes (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
04 – ABORDAGEM DO ROMANCE CONTEMPORÂNEO NO ENSINO MÉDIO
         Profa. Esp. Noara Queiroz de Medeiros
05 – AS RELAÇÕES EDÍPICAS EM HAMLET SEGUNDO SIGMUND FREUD
         Prof. M.Sc. Fábio Pereira Figueiredo (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
06 – A LEITURA NA PERSPECTIVA DISCURSIVA
         Profa. M.Sc. Carolina Coeli Rodrigues Batista (DLH/UEPB/CAMPUS IV)


13:30 – OFICINAS
01 – ATUALIZAÇÃO ORTOGRÁFICA PARA OS PARÂMETROS DA ESCRITA
        Profa. M.Sc. Eliene Alves Fernandes (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
02 – A PALAVRA POÉTICA EM MOVIMENTO
        Profa. Lúcia Helena Ramos da Silva (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
        Profa. Andrea Morais Costa Bühler (DLH/UEPB/CAMPUS IV)
03 – ARTES PLÁSTICAS
        Profa. Lili Brasileiro (Coordenação de Arte e Cultura da UEPB)
03 – DANÇA E EXPRESSÃO CORPORAL
        Prof. Roberto Gomes (Coordenação de Arte e Cultura da UEPB)
04 – INICIAÇÃO AO TEATRO
        Profa. Terezinha Marçal (Coordenação de Arte e Cultura da UEPB)

Noite
19:00Apresentação Musical


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

YÁZIGI CAMPINA GRANDE REALIZA SARAU POÉTICO-MUSICAL NESTA SEXTA-FEIRA


Campina Grande acaba de ganhar um espaço privilegiado para a poesia e as artes em geral. É o Yázigi Campina Grande, localizado na Rua João Machado, 267– bairro da Prata. A escola de idiomas procura se diferenciar das demais não só no ensino de línguas estrangeiras (da qual foi escolhida como a melhor do estado da Paraíba), mas em atividades culturais que busquem ampliar os conhecimentos de seus alunos e da comunidade. Nesta lógica, na próxima sexta-feira, dia 30 de Setembro, ás 18:30 horas, o Yázigi Campina Grande realizará um Sarau Poético-musical. Um evento gratuito, que contará com a participação de dois jovens músicos (Rebeca Leite e Felipe Davison) e de quatro poetas campinenses (Bruno Gaudêncio, Fidélia Cassandra, Samelly Xavier, Thiago Lia Fook). Todos estão convidados para este momento de pura poesia.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

PROGRAMAÇÃO DE LITERATURA - XII FESTIVAL DE ARTES DE AREIA

Quarta-feira - 14/09/2011
Centro Social Padre Ibiapina
09h - Mesa “Fundamentos da literatura paraibana: da ensaística à literatura no litoral e Campina Grande”
Mediadora: Lourdes Luna
Participantes: José Octávio, Astier Basílio e José Mário da Silva
Colégio Santa Rita
16h - Lançamento do livro “O Festival de Artes - Areia - PB"
Autor: Programa Monumenta/IPHAN
16h30 - Debate sobre o patrimônio histórico e cultural de Areia
Participantes: IPHAN, IPHAEP, MEC e ONG AMAR

Quinta-feira - 15/09/2011
Centro Social Padre Ibiapina
09h - Mesa “Decadência, cangaço e açudismo na literatura do Brejo, Cariri e Sertão”
Mediador: José Mario da Silva
Participantes: Janaína Azevedo, José Avelar Freire, Nadja Claudino, Daniel Duarte e Carlos Gildemar Pontes
Câmara Municipal de Areia
18h - Lançamentos de livros da Academia Paraibana de Cinema, UNIPÊ, EDUEP, Sebo Catalivro, Wills Leal, Valberto Cardoso e Fundação Ernani Satyro.

Sexta-feira - 16/09/2011
Centro Social Padre Ibiapina
09h - Mesa “Regionalismo e novas tendências da literatura paraibana”
Mediador: Romeu de Carvalho
Participantes: Bráulio Tavares, Fidélia Cassandra, Sérgio de Castro Pinto e Valberto Cardoso
Câmara Municipal de Areia
18h – Lançamentos de livros do Sebo Cultural, Livaria Lesco-Lesco, Emerson Devid e Bruno Gaudêncio.

Sábado - 17/09/2011
Centro Social Padre Ibiapina
09h - Oficina “Literatura, Carpintaria e Criação Literária”
Facilitadora: Janaína Azevedo
Colégio Santa Rita
17h - Lançamento do livro “Komus a uma só voz” (Silvia Perazzo) e de publicações da Associação Paraibana de Letras (Hildeberto Barbosa).

Domingo - 18/09/2011
16h - Ariano Suassuna
Colégio Santa Rita

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

POR ONDE ANDAM OS JOVENS NOMES QUE FAZEM A LITERATURA NA PARAÍBA?


Por Tiago Germano

Jornal da Paraíba, 21 de Agosto de 2011  

 

Passada a quarta edição do Agosto das Letras, evento que, até anteontem, promoveu um diálogo entre autores locais e escritores de fora do Estado, a questão ainda ecoa na estreiteza das ruas ao redor do Ponto de Cem Réis: após a Geração de 59, os grupos Sanhauá e Caravela, os focos já heterogêneos de poetas, contistas, cronistas e romancistas que gravitaram em torno de suplementos literários (os extintos e os ainda editados), que nomes têm renovado a literatura paraibana com o entusiasmo de sua juventude?

O JORNAL DA PARAÍBA foi à cata da resposta e achou um número considerável de círculos literários que vêm atuando na esfera estadual e estendendo sua influência, através da internet e das mídias digitais, os domínios da prosa e do verso que praticam com regularidade, coletivamente.

“Não somos uma geração e não formamos um movimento, pelo menos por enquanto. Sobretudo, porque não temos uma só identidade literária, uma estética própria. O que temos é a vontade de descentralizar a literatura paraibana, antes focada em João Pessoa, e interiorizá-la, conduzindo também para cidades como Campina Grande, Boqueirão, Santa Rita, Sapé ou Cajazeiras”, afirma Bruno Gaudêncio, jovem que, além de escritor, jornalista e historiador, é um dos membros articuladores de um corpo de palavras que está se erguendo através da ação de muitos braços, como o Clube do Conto, o Núcleo Caixa Baixa, o Núcleo Blecaute e a Associação Boqueirãozense de Escritores.

“Quase todos os círculos tiveram como ponto de partida a necessidade de trocarmos experiências sobre a escrita. As reuniões são quase sempre informais e todos são espécies de ‘oficineiros’ e ‘oficinados’”, conta Roberto Menezes, representante do Clube do Conto que, segundo André Ricardo Aguiar, um de seus membros mais antigos, “é uma entidade anarco-organizada, sediada num ponto indefinido preciso, com contos que falam e contistas que ouvem mudos”.

De acordo com Roberto Menezes, as ‘regras do jogo’ não são assim tão flexíveis, nem tão rigorosas: “Nos reunimos semanalmente, aos sábados, no piso superior do Shopping Sul, em João Pessoa. As reuniões são marcadas para as 17h, mas podem começar ou não neste horário. Para participar basta levar um conto, ou um ouvido. Temos 50 membros, mas já houve dias de ninguém aparecer, ou de ir um só membro. O certo é que conto nós sempre temos, ainda que os de Joedson (Adriano, conheça no box abaixo) sejam em sonetos”, explica.

DIÁLOGO APRENDIZ

Integrante do Núcleo Caixa Baixa (que reúne também participantes do Clube do Conto), Bruno Gaudêncio comenta que os coletivos foram criados com a intenção de buscar um espaço entre as camadas de exercício literário da Paraíba e inspirados em figuras já consolidadas na literatura local, como Ronaldo Monte (que foi também um dos fundadores do Clube do Conto), Linaldo Guedes e Rinaldo de Fernandes, todos convidados  do Agosto das Letras.

“É importante frisar que não queremos romper com esta tradição literária, muito pelo contrário”, ressalta Bruno Gaudêncio. “Queremos aprender com ela, e também ter a humildade de quem está começando e se permitindo a errar”, diz o autor de Cântico Voraz do Precipício, livro de contos lançado no início do mês, em Campina Grande.

Além de lançamentos de livros, palestras e recitais, os agrupamentos literários têm promovido desde eventos de dimensões mais íntimas, como recitais, varais e saraus, até mobilizações que já estão adquirindo repercussão e relevância no calendário cultural do Estado, como a Feira Literária de Boqueirão (Flibo), uma iniciativa da Abes que já coleciona duas edições e levou para o município da Borborema vultos  como os de Ariano Suassuna, Bráulio Tavares, Jessier Quirino e Ronaldo Cunha Lima.

Outra iniciativa é a Revista Blecaute, que foi a mola propulsora para a fundação do núcleo de mesmo nome. A publicação eletrônica, que lança seu 9º volume no próximo mês e veio à luz em novembro de 2008, está hospedada no site da Universidade Federal de Campina Grande (sites.uepb.com.br/revistablecaute) e é produzida por três escritores residentes na cidade: Jãn Macêdo, João Matias de Oliveira e o próprio Bruno Gaudêncio. “Acho um trunfo termos uma publicação associada a uma instituição num Estado que ainda carece de políticas de fomento à cultura”, opina Gaudêncio.

Se a identidade de cada um dos escritores fica comprometida com a identidade dos grupos, Roberto Menezes responde: “A identidade de cada um está muito patente em cada um dos círculos. Nos influenciamos para melhorar.Até o momento está sendo edificante”.

sábado, 20 de agosto de 2011

APRESENTAÇÃO DO MEU LIVRO DURANTE O LANÇAMENTO - TEXTO DE JÃN MACÊDO


ÀS MARGENS DE NOSSOS PRECIPÍCIOS INTERIORES


Boa noite!
Inicio minha apresentação da obra CÂNTICO VORAZ DO PRECIPÍCIOagradecendo ao seu autor, o poeta Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio, pelo convite e possibilidade de tecer nesta noite algumas considerações sobre seu primeiro livro de contos. Como vimos na apresentação que há pouco nos foi feita, Bruno ocupa diversos lugares sociais em seu dia-a-dia: historiador, professor, jornalista, estudante, contista...além de outros comofilho, irmão, namorado, amigo...
Mas, talvez, o ser-poeta constitua a marca presente na maior parte das páginas que narram sua história de vida; tanto naquelas que, logo após escritas, acabam evanescendo rapidamente, sendo espalhadas pelo vento ou distribuídas entre seus leitores cotidianos; quanto naquelas que, dada a maior densidade,permanecem gravitando ao seu redor,até o momento em que são enxertadas em sua pele e levadas de volta ao seu interior para serem reescritas, reelaboradas e lançadas de volta à atmosfera com uma nova forma e um novo conteúdo.
A força centrípeta que faz os outros lugares sociais serem atraídos até o seu centro poético faz com que, até mesmo no momento de vestir a roupa de contista, Bruno não abdique das vestes de menestrel, que parecem estar aglutinada a suapele. Poesia com respingos de prosa, prosa revestida de poesia: Essa é uma das características mais marcantes de sua obra, que se faz presente de modo especial em CÂNTICO VORAZ DO PRECIPÍCIO.
            Num sobrevoo meio mecânico, meio superficial, pela epidermeda obra, percebemos que o livro reúne oito contos, seis dispostos na primeira parte, intitulada INSPIRAÇÕES À BEIRA DO ABISMO, e mais dois reunidos na segunda, intitulada NAS SOMBRAS DA MORTE, na qual descobrimos encontrar-se, inclusive, o conto que dá título ao livro, ao mesmo tempo que o encerra. Porém, felizmente, a literatura e muito menos como a produz Bruno Gaudêncio não se limita a voos mecânicos; não se limita a epidermes, a cascas, a crostas e superfícies, pois é feita de mergulhos, bem como do desvendamento e invenção de significados.
Se, como disse certa vez o imortal recém-falecido Ernesto Sábato, ele mesmo um oxímoro: a literatura é uma forma de se explorar a condição humana;temos em CÂNTICO VORAZ DO PRECIPÍCIO um bom exemplo dessa exploração, em doses pequenas, de ingestão rápida, mas capazes de nos levar sem a intermediação de qualquer tipo de alucinógeno – a ampliar, mesmo que por alguns momentos fugazes, a nossa percepção.
            A morte é a linha tênue que serve como fio condutor para as narrativas que compõe a obra, da mesma forma que se constitui como o denominador comum e, talvez, o único elemento verdadeiramente democrático entre os seres humanos. Quem, entre os presentes, não enfrenta no momento, nunca enfrentou ou nunca enfrentará os dilemas, as dúvidas e as inseguranças geradas pela consciência que temos da nossa própria finitude e da perenidade de tudo o que nossos sentidos podem alcançar? Quem, entre nós, está isento de, em algum instante de sua vida, deslocar-se até a margem de um dos seus infinitos abismos interiores, para ouvir os cantos da sua própria morte ou a revelação da morte de uma pessoa amada, de um parente, de um amigo...  ou, talvez, a morte do próprio amor ou sentimento de amizade que se sentia por determinada pessoa? Quem de nós está isento disso? Quem de nós?
            Em CÂNTICO VORAZ DO PRECIPÍCIO esses dilemas são configurados narrativamente e vivenciados por personagens que se encontram tanto em condição de pobreza e/ou maior vulnerabilidade social, a exemplo da família de camponeses e favelados do conto AQUELA ESTRANHA NOITE, do LAVADOR DE CADÁVERES do conto homônimo; quanto em condições ditas mais privilegiadas socialmente, como o historiador do conto CASA DAS HORAS e dos altos funcionários de um banco no conto CORPO DA SOLIDÃO.
            Curiosamente, os contos O LAVADOR DE CADÁVERES e A ÚLTIMA LÁGRIMA DA CARPIDEIRA tratam de considerações e descobertas sobre a morte realizadas por personagens que, em tese, não poderiam mais ser surpreendidos pela morte, por terem-na como ganha pão ou, como diria João Cabral de Melo Neto, fazerem da morte ofício ou bazar.
            Em cada um de seus cânticos, o autornos revela... ou melhor, nós dá a possibilidade de refletir sobre os dilemas e aporias da finitude; seja através de personagens que expressam narrativas bem enredadas, por meio das quais parecem tentar estabelecer algum domínio sobre a finitude e a morte, ao classificá-las, aprisioná-las no campo do discursoe torná-las visíveis e dizíveis (perspectiva mais presentes nos contos da primeira parte da obra); seja, inversamente, através de palavras, períodos e frases (principalmente nos contos  QUANDO EU ESTAVA A CAVALO SOBRE MIM MESMO e CÂNTICO VORAZ DO PRECIPICIO, presentes da segunda parte) que dão a impressão de estarem sendo agrupadas de modo caótico com o intuito de, justamente, desmanchar o que foi dito até o momento e dilacerar qualquer falsa pretensão de controle sobre afinitude.
            Bruno Gaudêncio, que em sua condição de poeta-contista-em-início-de-carreira; em sua condição de contista que, na esteira de Alfredo Mesquita, aspira manejar o estilo, consegue, porém, tratar de temas tão insólitos de uma maneira suave e saturada de poesia. É como se o autor nos estendesse suas mãos, pedisse-nos para segui-lo, linha após linha, até a beira de um precipício e, ao chegarmos lá, nos convidasse a fechar os olhos por alguns instantes; convidasse-nos a nos desconectar temporariamente da “realidade” visível, para, com isso, nos tornarmos capazes de ouvir os cânticos e gritos expressos pela natureza ao nosso redor, estendida ao infinito; e pela natureza presente em nosso próprio interior, abismo sem começo e sem fim.
É como se as frases “Escurecia e a lua clara dispensava as lamparinas e candelabros da casa.”, que abre a obra, e “Sinto-me um corvo. Minha alma é uma extraordinária história de Poe.”, que a encerra, servissem como mantras, lançados pelo autor e sua mão alquímica, para nos lembrar dos absurdos da nossa condição humana.
Ali, escutando o CÂNTICO VORAZ DO PRECIPICIO, recordamos que à nossa sombra, à nossa espreita, e fazendo movimentos elípticos ao nosso redor, encontram-se três ninfas invisíveis, que nos acompanham em todos os momentos das nossas vidas e servem de inspiração ou contra-inspiração para boa parte de nossas ações. Quando, ao ouvir os assobios da primeira, indagamos seu nome, ela não demora a nos responder: SOLIDÃO. Ao escutarmos o canto doce e envolvente da segunda, temos a impressão de que pode se tratar de outra categoria de ninfa, das que podem aplacar nossas dores; ao indagarmos sua alcunha, porém, ela logo objeta:FINITUDE. Esperamos que a terceira nos tranquilize, nos acalme as inquietações e, embalados pela maciez de sua voz,questionamos também seu nome. Ao que ela nos responde: MORTE. Esperamos por uma quarta ninfa, onde estará a ESPERANÇA? Mas só o silêncio e os silvos do vento nos chegam agora aos ouvidos.
MORTE, FINITUDE, SOLIDÃO. Entre tantas outras coisas, é disso (também) que trata o CÂNTICO VORAZ DO PRECIPICIO. Cântico breve, mas que nos mostra que estamos, a todo o momento, não somente acompanhados pelas nossas próprias circunstâncias, mas sendo acompanhados por elas enquanto fitamos nossa finitude, do topo de qualquer um dos nossos precipícios interiores.
Obrigado!


Janailson Macêdo Luiz

Auditório do Museu de Artes Assis Chateaubriand.
Campina Grande-PB, 12 de agosto de 2011.